terça-feira, 29 de maio de 2012

life


Cresci e voltei, mas diferente!

Eu também já fui uma criança. 
Era protegida com todo o carinho, era acariciada com todo o amor, sentia-me especial e essencial.
Mas cresci. Cresci normalmente. Cresci com medos, desafios, alegrias, emoções, aventuras, vitórias e derrotas, mas era uma menina verdadeiramente feliz e amada.
Numa noite fechei os olhos e apercebi-me que tinha perdido tudo. Até mesmo o sono, não tinha sono. O eco das gritarias pairava no meu quarto. Naquela noite era uma escuridão mais profunda, uma dor mais aflitiva.
Esforçava-me para pensar que tinha sido só um dia mau e ia acordar de novo no meu paraíso.
Depois? Depois foi mais uma noite sem dormir.
Tinha medo de adormecer, tinha medo dos pesadelos. Tinha medo de acordar, tinha medo de estar ali. Mas acabava por adormecer sempre molhada pelas lágrimas de desilusão.
Acordava, pronta ou não, tinha mais um dia para enfrentar.
Via as coisas piorar, via-a perdida.
Via a minha vida a afundar-se em lágrimas de quem me amava e estimava, era como se o mundo acabasse e eu não sabia o que devia de fazer. Ainda não tinha consciência do que eram verdadeiros problemas, até aquele dia era realmente feliz e só isso me importava. Para mim viver ainda era brincar.
Fechava os olhos com muita força e pedia baixinho para parar no tempo, para perceber aquela transformação, aquela mudança tão radical e diferente. 
Era uma rapariga cheia de porquês e dúvidas. 
Procurava a paz e a felicidade em vida dupla.
Queria ser feliz. Queria ter paz. Queria ser uma criança sem preocupações, sem inseguranças. Queria ter quem tive sempre do meu lado. Queria o amor, a união e cumplicidade dos dois. Queria poder ser quem era.
Estava ali, sempre a tentar protege-la, mas as vezes era fraca demais para lhe dizer algo. 
Queria abraça-la , mas não conseguia, era tão desgostoso, tão desumano.
Eu sofria, mas ela estava a morrer aos poucos, era infernal.
Simplesmente ele não era ele.
Queria desculpas, razões ou motivos para tudo aquilo. Tinha pena dele e medo de a perder.
Sentia-me criança outra vez, mas sem defesas, sem caminho, sem nada.
Sobrevive dois anos de cruel infelicidade e hoje? Hoje recebo todo o amor e carinho de ambos, sou uma adolescente feliz e orgulhosa. Sinto-me uma vencedora e nada me vai deixar de novo sem forças nem sem caminho.
Hoje sou forte por eles, sou forte por mim, sou forte pela felicidade.

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