Cresci e voltei, mas diferente!
Eu também já fui uma criança.
Era protegida com todo o
carinho, era acariciada com todo o amor, sentia-me especial e essencial.
Mas cresci. Cresci normalmente. Cresci com
medos, desafios, alegrias, emoções, aventuras, vitórias e derrotas, mas era uma
menina verdadeiramente feliz e amada.
Numa noite fechei os olhos e apercebi-me que
tinha perdido tudo. Até mesmo o sono, não tinha sono. O eco das
gritarias pairava no meu quarto. Naquela noite era uma escuridão mais profunda,
uma dor mais aflitiva.
Esforçava-me para pensar que tinha sido só um
dia mau e ia acordar de novo no meu paraíso.
Depois? Depois foi mais uma noite sem dormir.
Tinha medo de adormecer, tinha medo dos
pesadelos. Tinha medo de acordar, tinha medo de estar ali. Mas acabava por
adormecer sempre molhada pelas lágrimas de desilusão.
Acordava, pronta ou não, tinha mais um dia
para enfrentar.
Via as coisas piorar, via-a perdida.
Via a
minha vida a afundar-se em lágrimas de quem me amava e estimava, era como se o
mundo acabasse e eu não sabia o que devia de fazer. Ainda não tinha consciência
do que eram verdadeiros problemas, até aquele dia era realmente feliz e só isso
me importava. Para mim viver ainda era brincar.
Fechava os olhos com muita força e pedia
baixinho para parar no tempo, para perceber aquela transformação, aquela
mudança tão radical e diferente.
Era uma rapariga cheia de porquês e dúvidas.
Procurava
a paz e a felicidade em vida dupla.
Queria ser feliz. Queria ter paz. Queria ser
uma criança sem preocupações, sem inseguranças. Queria ter quem tive sempre do
meu lado. Queria o amor, a união e cumplicidade dos dois. Queria poder ser quem
era.
Estava ali, sempre a tentar protege-la, mas
as vezes era fraca demais para lhe dizer algo.
Queria
abraça-la , mas não conseguia, era tão desgostoso, tão desumano.
Eu sofria, mas
ela estava a morrer aos poucos, era infernal.
Simplesmente ele não era ele.
Queria desculpas, razões ou motivos para tudo
aquilo. Tinha pena dele e medo de a perder.
Sentia-me criança outra vez, mas sem defesas,
sem caminho, sem nada.
Sobrevive dois anos de cruel infelicidade e
hoje? Hoje recebo todo o amor e carinho de ambos, sou uma adolescente feliz e
orgulhosa. Sinto-me uma vencedora e nada me vai deixar de novo sem forças nem
sem caminho.
Hoje
sou forte por eles, sou forte por mim, sou forte pela felicidade.
Sem comentários:
Enviar um comentário